E uma mulher que apertava o filho pequeno contra o peito disse: ‘Fale-nos dos filhos’.
E ele disse:
‘Seus filhos não são seus filhos.
Mas sim filhos e filhas do anseio da Vida por si mesma.
E embora estejam com vocês, não lhes pertencem.
Vocês podem lhes dar seu amor, mas não seus pensamentos.
Pois eles têm pensamentos próprios.
Podem abrigar seus corpos, mas não suas almas,
Pois as almas deles residem na morada do amanhã, que vocês não podem visitar nem mesmo em sonhos.
Vocês podem se esforçar por ser como eles, mas não busquem moldá-los à sua própria imagem.
Pois a vida não retrocede, nem se demora no ontem.
Vocês são os arcos dos quais seus filhos são lançados como flechas vivas.
O Arqueiro que divisa o alvo na trilha do infinito, e retesa o arco por Seu poder para que Suas flechas possam seguir rápidas e voar longe.
Que vocês cedam de bom grado à mão do Arqueiro;
Pois da mesma forma que Ele ama a flecha que voa, ama também o arco que fica’.
Kahlil Gibran - O profeta.
Trad. de Eduardo Pereira e Ferreira.
São Paulo: Editora Nova Alexandria, 2002, pp. 21-2
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